quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Discussão sobre o documentário da Marina Abramovic - The artist is present


          Em uma primeira análise feita por mim enquanto assistia o documentário the artist is present da Marina Abramović achei bastante impactante e ao mesmo tempo emocionante. O relato da preparação feita pela artista durante meses até chegar o dia da apresentação me fez sentir a ansiedade e medo de dar algo errado que ela, os outros artistas que também fizeram parte da exposição no MoMA e as demais pessoas do grupo de apoio provavelmente sentiram. 
          A partir disso, houve a discussão do documentário com o grupo da Praça de Esportes (bancos) que acrescentou muito a nossa primeira percepção. O que eu pude confirmar é que a Marina é muito “viva” no que ela faz, pois não se envolve superficialmente em suas apresentações, ela mostra a realidade interagindo com o ambiente e deixando que as próprias pessoas que estão assistindo à apresentação interajam com o seu corpo de um modo verdadeiro e sem qualquer tipo de ensaio anterior. 
          Além disso, discutimos sobre o fato de ninguém saber a real intenção da Marina ao sentar-se de frente à outra pessoa e simplesmente ficarem se encarando sem nenhum tipo de gestos. Algumas das sugestões dentre várias outras seria dela ser um reflexo da pessoa que estava olhando ou uma saciação da necessidade das pessoas de serem olhadas nos olhos, o que raramente acontece hoje em dia. Assim, a partir dessa não determinação de um motivo para estarem ali, cada pessoa criou um vínculo com o momento: alguns choraram, outros sorriram, outros pareciam tímidos e alguns mostraram claramente idolatrar a artista. 
          Outro momento do documentário chamou bastante atenção e acabou nos fazendo discutir entre a diferença de performance e atuação, pois a performance feita por ela tinha como proposta inicial sentar-se frente à frente com uma pessoa e ambas se encararem e, com isso, cada um provocaria um sentimento diferente no outro. Entretanto a Marina não se prende a esse papel, em um determinado momento ela sente a necessidade e pede pra retirarem a mesa que a separava do outro indivíduo - que servia até mesmo como uma proteção física para ela - mudando, com certeza, a forma de percepção das pessoas que sentaram na cadeira depois dessa modificação. 
          Com isso, o que eu pude perceber é que o documentário da Marina Imbramovich é de extrema importância para nos desapegarmos da atuação ensaiadas com um teor finalístico e das formas pré-definidas. Pois, só assim conseguiremos  fazer uma performance verdadeira que expresse nossos sentimentos e percepções sobre o ambiente observado. 

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